Bêbados, psicanalistas, sexo e noites insones; Ovos mexidos, diálogos pós-morte e pessoas que têm merda na cabeça; Animais da fazenda, Afrodescendentes cheios de lascívia e pescarias. É isso que você encontra por aqui.
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 TRIO, episódio 1: "-Três camas de solteiro, por favor."

Férias na praia: Caio, Paulo e Pedro alugam um apartamento numa cidade vizinha no litoral. A experiência de sentirem-se livres e responsáveis por eles mesmos em uma cidade estranha dá a esse episódio a sensação da maturidade a caminho. Não que eles se importem com toda essa bobagem de "criar responsabilidade"... Pelo menos, não por enquanto. Ainda que lhes sobrassem tempo pra crescer, o estômago agora rugia e a fome era grande. O futuro dos três dependia de uma decisão: Quem vai comprar a comida?

O cheiro da dúvida que infesta o apartamento de 25m² só não é mais forte que o desespero de sentir o nada sendo digerido pelo intestino. E a dúvida, caro leitor, não cheira bem.


-... Vai tu então, Pedro.
-Mas o quequê que que é isso?
-Vai tu buscar um dog pra gente. Tem aqui 15 pilas, traz o troco COM a notinha, tu não vai nos engambelar de novo.
-Tá louco! To muito cansado, cara... Caminhei pra caramba, hoje.
-Onde tu foi?
-Eu saí por aí.
-Podia ter trazido comida...
-Não sabia que vocês queriam comer, ué!
-Pedro, são 8 da noite. Desde a uma e meia, quando a gente saiu da praia, eu venho dizendo que tô com fome.
-E por que TU não foi buscar comida?
-Não tive tempo.
-Mas tu tava fazendo o quê, Caio? A gente saiu da praia e veio direto pra cá, quando chegamos, tu já tava aqui.
-Eu tava resolvendo umas coisas...
-'áteamerda... Um sai "por aí" e o outro vai resolver "coisas"... A gente parece que não conversa, só troca informações vagas. 'ôrra, a gente planejou tudo juntos! Quem sabe eu também não saio pra "armar uns troços".

-... Na volta traz uns dog pra galera.
-É, isso aí! Traz troco de bala, pode ser.
-Não tava falando disso... Quero dizer que vocês não tão tendo o sentimento de viver em conjunto nem de companheirismo que eu tinha em mente pra essa viagem...
-Cara... Tu tá certo.

-Ah, sei lá, né meu... Eu paguei 6 pilas pra vaquinha da janta! O Caio mal deu 4, tu devia dizer isso pra ele...
-É, mas eu paguei a cerveja ontem...
-Eu não bebi cerveja ontem, cara.
-É, nem eu...
-Ah, sei lá. Lembro de ter bebido e de ter pagado, eu devo ter oferecido pra vocês.
-Ofereceu, sim. Ligou às 3 horas e 12 da madruga e disse: "Tô aqui numa festa no outro lado da cidade, tá um troço muito louco, vem pra cá!"
-Viu? Eu não lembro disso, mas lembrei de vocês na hora...
-Calma, não terminei... "Como? Vocês não tem carona? Pega um táxi! Ah, espera... Tinha um dinheiro ali em cima e eu peguei que tava sem trocado, hehe... Mas ainda dá pra vir a pé, é pertinho, eu acho. Espera... Hmm... Sei. Aparentemente é uma festa fechada. A gente se vê amanhã, falou."

-Então foi isso?

-É, 5 horas depois, o pedro saiu pra surfar e te encontrou só de cueca na praia.
-Daí tu me trouxe a bermuda, aquela?
-Na verdade, tentei te acordar antes. Gritei, empurrei teu ombro, te dei uns tapas no rosto, uns bem fortes, até, e depois desisti. Voltei pra buscar a bermuda e a camiseta.
-Desistiu?
-Na verdade, derrubei a prancha em cima de ti e saí correndo, porque pensei que tu ía acordar. Mas aí tu não--
-DERRUBOU A PRANCHA EM MIM?!?
-Ah, foi sem querer, eu ía te dar uns chutes e deixei ela em pé na areia, quando vi só deu o "pá!"
-Mas que merda, e não falou nada? Tu podia ter me dado uma concussão, eu podia ter morrido e tu saiu correndo?
-O importate é que tu tá inteiro, meu, e aqui com a gente... Tu só vê o lado ruim...
-Humpf... Tá, vamo vê logo quem vai lá.

-Eu peguei o café da manhã, tô fora.
-Eu fiz o almoço. E sequei a louça de ontem. Tô com crédito na casa.
-Fui eu quem-- Esperaí, CAFÉ DA MANHÃ?!?
-É, na praia...
-Eu não comi nada na praia, cara...
-Nem me ofereceram nada, meu cérebro e fígado tavam em off, e eu só na agüínha mineral de canudinho.
-Ah, eu ofereci pra vocês, sério.
-Acho que não, cara, eu não lembro de ter comido coisa alguma.
-É.

-Não, cara... Peguei um picolé e coloquei na tua frente. Na verdade foram três. "Três deliciosos picolés por apenas um real. Compre neste carro que está passando perto de você. Picolés DuPólo." Tinha um pra cada um.
-Tu tá falando sério?
-Claro! Eu ainda pensei: "Um pra cada, os guris vão querer me pagar um monte de coisa depois."
-Tu me ofereceu um de milho verde, caramba.
-E daí?
-Tu comeu o de morango e de abacaxi.
-Eu não gosto de picolé de milho verde. Não há ser humano que entre numa sorveteria e peça picolé de milho verde, não há.
-Tu me disse que era o único que tinha! Eu que não ía comer aquilo!
-Tá bom, amanhã pego um picolé de qualquer sabor pra cada um, tá feito?

-Ok, mas amanhã é amanhã, e eu tô morrendo de fome agora!
-Eu to arrotando de fome, meu! To sentindo meu estômago encolher! Eu acho que não to sentindo minhas extremidades, meu cabelo... Já to sentindo a vida desaparecendo do meu corpo!!! Preciso de glicose, sal, vitaminas e nutrientes necessários pra viver, com uma salsicha no meio e molho de tomate... Ah, meu, vão buscar logo...
-Vamo fazê o seguinte, então: pegamo o número da lancheria e ligamo pra trazer pra cá, é o jeito mais prático; só que, obviamente, o mais caro também.

-Então?
-Então liga, alguém sabe o número?
-Pior que nem tem lista telefônica aqui... Ô Pedro... Dá uma olhada ali da janela...
-Como assim?
-Só pega o número da placa.
-Como assim?! Mas só da pra ver do outro lado da rua...

-A placa da lancheria que fica do outro lado da rua.

-Tu tá falando que tem uma lancheria do outro lado da rua? E ninguém quer atravessar ali e pegar alguma coisa? E NÃO tá chovendo? Algum de vocês é foragido da polícia ou algo assim?
-É. Por quê? Tu iria?
-Claro que não! Eu botei 6 pilas pra vaquinha do Dog, tenho certos direitos...

-Pega o número, Pedro.
-'Cês tão achando que eu tenho cara de Office boy, estagiário, corinho?
-Com essa preguiça e essa barba mal feita, tu nos dá motivos...
-Tá, liga aí:TRÊS-SEIS-VINTE E TRÊS-QUATRO-OITO-NOVE.

-Aham, aham... Pedro?

-Oi.

-Que mais?

-Mais o quê?

-O resto.

-De quê?

-De que O QUÊ, CARALHO! Falta um número da lancheria.
-Ah, tá, tá... Mas eu não sei qual é.
-Não sabe como, cacete?!? Fugiu da escola em que série?
-Haha... Tem uma árvore na frente. Não tem jeito. Já tentei as outras janelas daqui, não dá pra ver.
-Mas que droga!
-Ah, não, meu!
-Báh, é isso... Morri, cara, não to aguentando, chama um padre e me dá uma extrema unção... Digo, chama uma prostituta e me dá a últimazinha, quero morrer como um homem deve morrer.
-Pára, olha só... São 10 números, se a gente tentar a sorte, dá pra acertar.
-Eu não tenho mais cartão no celular.
-Nem eu.
-O meu estragou. Eu botei na geladeira depois de uma festa, semana passada. Não perguntem.
-Tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil, 'cês pararam pra pensar nisso?
-Não, acho que o meu cérebro tá sendo digerido pra me dar mais alguns segundos de vida antes de eu estrebuchar de inanição. Sério, não sinto minhas amídalas! Ah, espera, eu tirei elas ano passado.

-Acho que eu vou dormir.
-Acho que eu vou ligar pra virem me buscar.
-Acho que eu não vou resistir mais, cara... Vou fazer um Miojo, mesmo, foi mal, caras. Não pensei que fosse tão fraco.
-Nããão, meu! Isso é só pra emergências de verdade, e se a gente ficar sem comida um dia desses?
-Esquece, na próxima eu busco comida. Hoje não, hoje não.

-Tá, faz pra três.

Pedro levanta e liga o fogão. Coloca a água numa panela e tira os pacotes de macarrão instantâneo do armário, agora barriga ronca mais alto do que a tevê. 5 minutos e meio. Todos comem. Seguem três suspiro e um arroto. Paz na terra, novamente; não há guerra, não há mortes e as criancinhas africanas não trabalham como escravas para a Nike. A vida é bela e colorida novamente e tudo tem uma solução neste mundo: Miojo.

-Bá, cara, não tava aguentando. Juro que mais dois minutos e eu teria ido buscar alguma coisa na lancheria...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 Obstinação Indomável

Ricardo Cross-Kraemer Harmônico, ou Dinho C. K. H., era intrincadamente perseverante. E era perseverante por ser vaidoso. E era vaidoso por ter as sombrancelhas não-tão-bem separadas, havia uma ponte peluda e negra onde deveria haver apenas a curva do nariz. "Se a cara não ajuda, a fama tem de fazer o dobro do trabalho". Palavras de Ricardo.

Garoto obstinado, sem dúvida.

Tudo isso porque ele tinha colocado na cabeça que iria fazer o que muita gente nunca chegaria a imaginar que pudesse mover tamanha massa humana em prol de um único objetivo: resgatar a garantia de uma tevê.

Um objetivo.

Não era dos melhores, nota-se. Mas ele era obstinado, jovem, parcialmente calvo (mas só no topo da cabeça) e além de tudo, seu carisma fazia dele um bom negociador. Obviamente, o coordenador do setor administrativo da empresa faria isso num instante. Acontece que Ricardo não era mais o coordenador do setor administrativo da empresa. Ele havia perdido o emprego, e justamente por ter falhado nessa tarefa. Ricardo estava puto da vida. Acompanhemos:

-Oi, em que posso ajudar?
-Hehe... Ehr, oi, eu vim aqui antes e--
-Neeeeeeidê!
-Ah, você me reconhec--
-NEIDEEEEE!
-Escuta, eu só preciso d--
-NEIDÊ!
-Se ela não estiver, não tem problema eu volt--
-Só um momento, por favor.
Uma voz vinda de longe chega estridente, o tom exato que faria uma bagunça numa vidraçaria. Os ouvidos de Ricardo explodem a cara nota alta alcançada pelo esguio e admiravelmente ruidoso ser humano que é Neide. E daqui, todas as escalas parecem altas, altíssimas, astronômicas. Ricardo fica surdo de um ouvido:
-FALA, MENINA!
-O CARA AQUELE TÁ AQUI DE NOVO!
-O JEAN?
-NÃO, O CARA D--
-O SEGURANÇA?
-NÃO, NADA A VER... É UM CLIENT--
-OLHA, SE FOR O SEGURANÇA, MANDA ELE ESPERAR LÁ FORA QUE O MEU MARIDO AINDA TÁ AQUI!
-NÃO, O CARA DA TEVÊ!
-QUEM É QUE VEIO ME VER?!? FALA LOGO!
-O-CARA-DA-TE-VÊ!
-COMO ASSIM, DE ALGUM PROGRAMA? O PORTIOLI DA SBT?
-NÃO É, NÃO TEM NADA A V-- CARAMBA, NEIDE, VEM AQUI!
-O QUE É? O que é? Não tá vendo que eu tava faze-- Ah, maravilha... É o cara da tevê. Por que não me avisou logo, Lorení?
-Com licença, eu preciso--
-Eu tentei te falar, eu tent--
-Quando?
-Como?
-Quando?
-Quando o quê?
-Desculpem, mas eu--
-Quando tu me avisasse, mulher?
-Agora, agorinha, mas tu não me ouviu.
-Agora?
-Agora há pouco.
-Sim, mas então eu não ouvi.
-Sim, eu percebi.
-Mas então a culpa não é minha, nem tem como.
-Não disse isso... Eu só falei que eu tentei te falar e tu não me ouviu.
-Não, eu ouvi, mas não entendi, é diferente.
-É a mesma coisa, é a mesma coisa... Além disso, por que tu mencionou o segurança? O bonitinho, aquele...
-Ei, escutem, eu precis--
-Que segurança? Tu é que não entendeu direito, eu falei que--
-Eu ouvi bem, tu perguntando dele, se tinha vindo falar contigo e tarãrãn... Menina, ele é casado, viu! e tu também.
-Calaboca, guria, não fala besteira... Olha só, me acusando, me caluniando, onde já se viu?... Mas escuta, o que tu queria, afinal de contas?
-Ah, é mesmo!... Ei, aonde ele vai? Moço! MOÇO! Foi embora...

Ricardo desistiu, sabia que este dia iria chegar. E foi então, que, percebendo a impossibilidade de levar o caso adiante, Ricardo pensou: "Tudo isso só por causa de uma tevê? Eu nem assisto à tevê!".

Enquanto a chuva fina molhava seus óculos, pensava: "Eu estou pensando comigo mesmo demais, vou parar enquanto ainda estou são". E não pensou mais nisso pelo resto do dia.

Na saída, desolado por encontrar-se diante de seu primeiro fracasso, parou na porta. Carregava uma tevê analógica, grande e pesada. Estava chuviscando, o carro estava longe, longe demais para se carregar um televisor sem se molhar um pouco. Ricardo puto é uma coisa feia de se ver. Se torna desatento e irritadiço, propenso a erros estúpidos.

A chuva ficou mais forte. enquanto carregava a tevê, o fio escapou da sua mão e ele pisou em cima. O aparelho foi ao chão com força o bastante para quebrar a tela. Sem pestanejar, esticou a perna para chutar a tevê longe, no pico da ira. Perdeu o equilíbrio e caiu de costas no meio da avenida. Ele começou a chorar de desgosto. A tevê olhava para ele come se risse de sua ineficiência em se livrar dela. Dava pra ver seus transístores cheios de emoção para agradar a família inteira, seus circuitos eletrônicos criados especialmente para domar as crianças, seu coração programado para lavagem cerebral e doutrinação do espectador... Ela estava ali, estrebuchando. Mas ria de Ricardo, um teimoso patético.

terça-feira, 13 de outubro de 2009 O Beco

Garoto entra à noite num beco escuro:

-Me dá a arma!
-'TAQUIOPARIU! EU TENHO ADVOGADO, NÃO ME BATE! Cacilda como é que eu fui me enfiar nesse maldito beco, sabia que ía dar em cana... Tô saindo, tô saindo...
-Ih, ó o maluco aí... Me dá uma arma rapaz, vim comprar um trabuco.
-Como assim, moleque?!
-Me dá logo a porcaria da arma!
-Você não deve ter mais do que uns 14 anos, do que está falando?
-Vim aqui comprar uma arma, tá aqui o dinheiro.
-Garoto, você está fora da sua mente? Como é que pode vir aqui num beco escuro à essa hora da noite e simplesmente pedir uma arma? Isso pode ser perigoso para um adolescente, sabia?
-Eu sei, ok? Além do mais, eu tenho dinheiro. Tá aqui. Toma.
-Garoto, você se drogou? Droga, você não tem nem idade pra viajar sozinho! Vá arranjar um outro jeito de se matar, estúpido.
-Olha aqui seu bostinha, você vai acabar chamando a atenção dos tiras, está me ouvindo?! Pensa que eu estou brincando?? Agora pega aqui a grana e larga logo o berro aqui na minha mão!
-Como é-- Coméquié?!? "Tiras"? "Grana"? "BERRO"?!? Você acha que isso aqui é o filme dos Bad Boys? Eu tenho cara de Will Smith por acaso? Você tá mais pra Um Maluco no Pedaço, sacou? "Trabuco"... Ai, ai...
-'Cê tá viajando, falou? Eu tô aqui com a grana toda aqui e o cara acha que é brincadeira.
-Cai fora, garoto...
-Olha, me escuta então. Vou te contar uma história.
-Vai o quê?! Contar uma-- Caramba, quer me fazer dormir, é? Minha mãe não mandou nenhuma babá por aqui. Quem sabe não esquenta um leitinho, então... E faz um mingau, pra trocar as minhas fraldas que eu acho que me borrei com o susto que você me deu, garoto...
-É sério. É sério, sem brincadeira.
-E eu tô aqui pra isso, por acaso?! Tá, fala logo, a noite tá calma, mas se aparecer alguém, tu sai correndo ou te enfio a mão nos córno.
-Então... Quando eu era pequeno--
-Era?! Hahaha!
-*pigarro*... Quando eu era menor, nós éramos pobres e vivíamos num barraco. Minha mãe chegava em casa do trampo e batia no meu pai, que tinha que fazer as tarefas de casa. Hoje dizem que eu não me adapto aos padrões comportamentais da sociedade por causa da falta de um modelo paternal masculino.
-Ah, é?
-Sim. Quer dizer, isso e o fato de eu beber o dia inteiro.
-... E sua mãe sabe disso?
-Talvez, mas ela também bebe pra esquecer...
-E o que você quer fazer com essa arma?
-Hmm... Acha que eu sou trouxa? Te entregar uma dica dessas?
-Ei, rapaz... O que você acha que eu sou? Você está com a arma, não é? Esse é meu ponto, já te vi me observando nos outros dias. Se der alguma coisa errada, você vem aqui e a gente se acerta, ok?
-Você me convenceu... Eu vou te contar. O pato é um velho ricáço... Dono de uma loja de jóias atende pelo nome de Sr. Lauro Rozo, conhece?. Não tem erro, saiu da loja sozinho pra ir depositar o dinheiro das vendas no banco. Deu umas voltas antes, mas daí é que eu vi que ele tava querendo despistar. Faz isso todo dia.
-Investigou até isso, é?
-É, vou até fazer um bem pra ele, hehe... Há boatos de que quer se aposentar, e uma coisa dessas deixa o cara zureta. Vai curtir os netinhos, gastar a aposentadoria em viagens e comprar uns azuizinhos pra botar a velha pra trabalhar... Todo mundo ganha!
-E a grana é boa? Quer dizer... Vale o investimento? Senão é 400 mortinho aqui na minha mão.
-Pelo que eu ouvi por aí, é na base de uns 5, 6 mil por dia. E estamos perto do dia dos namorados, não é? Sabe como são os ricos de pau pequeno... Tentam compensar com dinheiro. O negócio é que as vendas vão subir nesses dias.
-Esperto, esperto. Tô vendo que você é a cabeça da trupe, então, né? Podia usar isso pra alguma coisa grande e quem sabe fazer carreira, sabe?
-Sério?!? Você conhece alguém do alto escalão?
-Não exatamente. Um cara é ex-cunhado do amigo de um meio primo meu. Mas se der certo, te coloco em contato. Sonhe, rapaz... Até que seus sonhos se tornem realidade.
-E você é quem, o Papai-Noel? Isso é vida de crime, eu não quero ir pro show do AC/DC ou coisa do tipo...
-Tá bom. É que eu vou te dizer, você me lembra eu mesmo no início. Muita vontade, mas espera o momento certo. Você tem carteirinha de estudante aí? Vou te fazer um desconto.
-Ah, beleza... Escuta, tô indo. Minha mãe me mata se eu volto pra casa depois das onze.
-Foi o que a minha fez com as minhas irmãs mais novas. Eu não sei como ela conseguiu ouvir elas chegarem à uma da madruga, e olha que eu tenho sono leve.
-... Puts, que pena.
-Brincadeira!
-Ah! você me pegou nessa...
-É... Quem matou fui eu, elas chegaram em casa tarde e fazendo um barulhão do caralho. E eu tenho sono leve, sabe? Quer dizer, foi a terceira vez naquele mês... E eu tenho que trabalhar, não tenho?! Um homem tem limites, não acha?!?
-Ehr... Eu... Tchau!
-Hahaha... Vai logo, garoto... Some daqui...


-Ah, mais um "quero ser zé pequeno". Teu pato morreu semana passada, mané...

--------------------------------------------------------------------------------------------------
(Hoje, dia 13, é aniversário do Boca. O rapaz fez 18. Já preparem uma cela acolchoada pro garoto... Feliz Aniversário, Boca!)

terça-feira, 4 de agosto de 2009 Qual é o problema da amnésia?

"Eu estava fazendo qualquer coisa, e então, seja lá qual foi o motivo, esqueci por que fazia aquilo. Aí pensei: eu nunca pensei nisso. Eu fazia isso sempre, mas só agora eu parei pra pensar se aquilo era realmente necessário para a minha vida.(...)"

-Certamente você já ouviu algum relato assim... Viu? esse é um dos problemas da amnésia, a pessoa perde a consciência até do por que executa uma tarefa mundana e--NÃO? Nada assim nunca? Mesmo, tem certeza? É que eu ia falar sobre... Ah, então deixa pra próxima, ok? Aham. Aham. A gente se fala, tchau. Abraço. Sim, sim. Tudo bem. Ok, vou desligar agora, tá bom? Tá, tá. Tchau.
Clic.
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Eu estava escovando qualquer dente e, de repente, seja lá qual foi o motivo, pensei na seguinte cena:
-Por favor, poderia me ajudar aqui? Obrigado. (Um escultor, artista plástico, algo assim.)
-Sim, senhor, disponha. (Alguém com aparência de velho, com a barba branca, um chapéu-côco e óculos de lentes redondas.)
-Está ficando bonito, hã? (Limpando o suor da testa.)
-É, é mesmo... Quando ficar pronto então... Fiu! Mas... Por que mesmo você está construindo esta estátua? (esgueirando-se atrás do artista plástico. Com uma chave-inglesa em riste , na sala de estar, o Cel. Mostarda.)
-É que--Páw!... (depois de um tempo, levanta com dificuldade.)
-(roubando a carteira do artista. Acha apenas uns trocados.) Seu maluco! Todos vocês! Malucos!(e sai correndo)

O que acontece a seguir é que o artista perde a memória. Vendo-se sujo de argila e a peça na sua frente, ele assimila que estava esculpindo-a. Algum tempo depois, alguém muito rico a compra. Quando um grupo de repórteres chega em sua casa e vêem aquela bela obra retorcida, o perguntam o que a aquilo significa. Ele diz que é "a situação abstrata da psique humana em confusão absoluta". O repórter pergunta se quem o fez estava só bêbado e tinha esquecido completamente por que tinha esculpido aquilo. O ricaço pára pra pensar e diz: "Porra! Então é isso!" Aí eles voltam de carro até o local onde o escultor estava e, de fato ele ainda estava lá. O Ricaço pega e atira a escultura na cabeça do homem, que desfalece por alguns instantes.

-Quem sou eu? (ainda no chão, para um adolescente de 17 anos que não parece ser de confiança)
-Você? Hum...(com um sorriso sacana no rosto) Seu nome é José de Arimatéia. Você é corno, o filho da sua mulher não é seu.
-Ah! Droga! Maldita!
-Ah, e mais uma coisa!
-O que é?
-Você é dançarino de strip tease, e trabalha naquela boate no final da rua. Você também--
-O quê?!?
-Quer a informação ou não? Caramba!
-(quase chorando, decepcionado, sentindo como tivesse recém reencarnado e tinha esperanças de voltar como algum nobre ricaço.) Droga! Tudo bem, abra o bico, rapaz!
-Hmm... Você também faz programas quando não está lá. Eu sei disso porque me disseram. E você não conhece minha mãe.
-EU FAÇO O QUÊ?! Caramba, o que eu-- Como é que-- Por que eu nunca... Droga, acho melhor parar de resmungar e voltar para o trabalho, então. Até mais garoto. Desculpe pelo seu tempo. (se vira e começa a andar na direção de uma casa noturna.)
-Foi um prazer ajudá-lo, panaca...(caminhando para o outro lado)
-Como é que é?
-Nada nada, só disse que pra não se perder, você deveria seguir aquela placa...(E sai, definitivamente)
-Hmm. Algo não me cheira bem aqui. Mas que posso fazer? Sou apenas mais uma vítima do estrangulamento dos menos-capacitados para posições administrativas em detrimento do desenvolvimento econômico da sociedade moderna, sou um fruto da luta de classes que marginaliza pessoas e discrimina-as por suas ocupações. Putzalavida... Tomara que na próxima encarnação eu não nasça socialista. Aí estaria no fundo do poço de vez.

Aproveitadores fanfarrões.
Esse é outro problema da amnésia

------------------------------------------------------------------------------------------------

segunda-feira, 6 de julho de 2009 Pânico no Condomínio - Dia 2

Cedo demais. Ou, tarde. Qualquer uma, se for julgar sua chegada às 5 da manhã. Ou da noite. Está escuro, caramba! E você não está em condições de julgar nada pelo que vê: aquele canhão brabo que você pegou ("atacou" seria o termo mais cabível, dadas as circunstâncias...) parecia, aos seus olhos, a coisinha mais "graziossa".

A última coisa que você esperaria de um fim-de-uma-festa sublime é algum desafeto seu encontrá-lo naquele estado, que mais condizia com o de um alce que acabou de ser atropelado por um caminhão-pipa carregado com milhares de litros de caipirinha de morango com vodka e doses de tequila com limão e sal, enquanto tentava copular com um monstro-lhama de orelhas de elefante e tetas de uma leiteira campeã. Mas, bem... A vida tem disso. Você olha pra porta dele e nesse mesmo momento, percebe que algo está errado. Então, com toda sua plena desenvoltura balangandã, você corre pro jardimzinho e vomita aquela "erradez". Você se sente um tantinho assim de culpa pela imprudência para com a sua vizinha, embora ela nunca vai saber porque as petúnias daquele lugar nascem tão feias. Você, sente-se melhor. Mas é por pouco tempo.

Lá está ele, aquele desprezível. As mãos na cintura, os cotovelos arqueados, o cigarro mordido no canto da boca boca, o pijama de cachorrinhos... Aquela visão do desejo por autoridade, de ser o exemplo de intelectual conservador que só quer o bem de todos, mas sem fazer muitos sacrifícios; que se importa com os bons costumes, de moral rígida e intransigente. Humpf. E além de ter um bafão, né? Que o cigarro não ajuda...

Em matéria de mal-estar, sua pose de superioridade rivaliza apenas com a ânsia de vômito que dá depois de se por de pé, quando se bebe sentado. E, por falar nisso, aí está ela:

-Blééargh! Ah, e esse pastel tava tão bom...
(Você lembra da voz lilás, aguda e irritante, com aquela aspereza de quem traga alguns maços por semana) (sem falar na pretensão de ser sarcástico que é característica de todas as pessoas que aprenderam tudo o que saber sobre humor com a mamãe.) (E quando ele vira os olhos para o lado? Como se dissesse: "Descobrir que o pacote de pipocas que eu estava comendo tinha uma barata dentro seria deveras mais prazeroso do que conversar com vocês, analfabetos funcionais leitores de lixo literário. Desliguem a internet! Proíbam os malditos blogs! Leiam logo um livro de verdade, seu bando de desavergonhados liberais!.") (Aí, então, depois de um pigarro daqueles "ai ui, como sou superior", ele abre a boca:) Hmm... Muito bem, senhor Regurgitador. Acho que as próximas petúnias da senhora Ofélia irão crescer grotescamente feias!
-Ah, vá plantar batata!... hahahahehe... (suspiro) Batatas, aiai droga... Blééargh!
Depois dessa gorfada, você se sente melhor, como se junto com o recheio do pastelinho tivesse ido junto alguma parte do álcool
-Então... Voltando de uma festa bêbado, é? Francamente! Não condiz com a imagem de um presidente da associação do condomínio.
-Presidente de quê?
-Da associação. Ah, você não veio na reunião de sábado à noite.
-Mas eu pensei que se faltasse bastante, iriam me esquecer completamente...
-Está louco? Com toda essa sua mania de bebedeira e chamar amigos e amigas que se comunicam aos berreiros? Tentamos ignoram às vezes, mas se bem que alguma hora dessas... Veja bem, vamos ter que levar você pra assinar uma ata e te entregar... Um aviso! E pela caixa de correio...
-Um aviso? Nossa, puxa vida, hein? Vocês não estão pra brincadeiras mesmo...
Ah, você é tão sagaz!
-Hmpf... Alguns de nós até detestariam lançar mão de um recurso tão extremo, ainda mais contra qualquer um que mantenha as taxas do condomínio em dia e que inclusive contribui para o Natal das Crianças -Por falar nisso, o pai do garoto do 28 mandou dizer que o menino quebrou a cafeteira andando com o skate que você doou; o que, segundo as regras, faz a culpa ser sua. Ele quer falar com você à tarde.- Mas é sério, não estou aqui pra ser o "carrasco", ou o "dedo-duro" ou "x-9", sei lá o que essa nova geração anda falando...
-...
-Vai vomitar de novo, não é?
-Não, nada disso... É que eu meio que... Quer dizer, acho que... Eu parei de ouvir na parte do Natal das Crianças... Você mudou de assunto, e não me falou nada. Depois, voltou atrás, do nada, e queria que eu... Eu... Droga, eu me perdi de novo.
-... Bom, eu havia dito que o pai do garoto do vinte e oi--
-mmMMm... Blééargh!
-Jesus Cristo!
-Amém!
-Quase nas alpargatas, rapaz! Por um triz... Eu paguei caro por elas.
-Hmm... Diz aí, semana passada me disseram que eu era presidente da associação, mas até agora, não recebi nada, nem desonto na taxa do--
-Eu acabei de te dizer isso.
-O quê?
-Foi agora, eu acabei de te dizer isso.
-Não, o que foi que tu me falou agora?
-... Você ser presidente da associação. E, na verdade, ninguém queria mesmo você. Só que o único candidato era bem pior e, como nenhum de nós queria a vaga, o antigo presidente te candidatou, nós só votamos em você por falta de opção. Quer dizer, ninguém duvida das suas capacidades de se sair bem, mas... Convenhamos, não é?
-Eu... Eu não entendi metade do que o senhor falou. E não precisa tentar me explicar. Mas quem era o outro candidato?
-O outro?
Ele faz uma pausa. Força os maxilares, mostrando os dentes como se uma dor lancinante aparecesse do nada enquanto ele pensa num adjetivo para descrever o outro candidato. Você não tem idéia do que irá sair da sua boca. Para sua surpresa, ele não fala nada. Mas, depois de uma longa inspiração:
-O... Rapaz, do 34.
-...
-Você vai vomitar de novo agora, não vai?
-...
-...
-... Na verdade, eu... Eu acho que me perdi. Eu juro que me lembro de ter saído de casa à noite, mas... Depois disso, é tudo um branco... E a dor! Ah, a dor... Que cheiro é esse? Como eu vim parar aqui? Quer saber? Eu acho que fui abduzido. Rápido! Me ajude a levantar, que eu quero chamar as autoridades responsáveis. Vamos! Ei! Aonde você vai? Volte aqui, eu não consigo ficar de pé... Eu acho que vou--Blééargh!

-Ah, peraí... Acho que to lembrando agora...



Fim do dia 2

quarta-feira, 11 de março de 2009 Eu me vejo numa roda de pessoas falando baixo, planejando alguma coisa. De repente, alguém fala:

-Vai começar assim: uma banda vai tocar no palquinho até umas cinco e meia, seis horas; aí a gente se junta com o pessoal do greenpeace que vai estar esperando na saída do prédio. Quando os deputados saírem, nosso representante vai subir no palanque e fazer o discurso, nada muito extenso, é pra o povo se empolgar... Algumas estatísticas e palavras de ordem, o básico. Depois a gente--
-Que banda?
-Como?
-Que banda vai se apresentar?
-Os Stones, mas eles não vão "se apresentar", só --
-TámalucoosStones? OS ROLLING STONES DINOSSAUROS DEUSES DO ROCK na minha cidade?! Caramba...
-Não, os Happy Green Nature Stones aqui do bairro de baixo. Eles fazem um tipo de axé engajado. Sabe que o pessoal confunde bastante?
-Hm, nteressan e depois?
-Bom, depois vem o de praxe: os protestos em coro, a passeata, vamos abraçar uma árvore velha, gritar um hino broxa, a fogueira simbólic--
-A o quê?
-Fogueira simbólica eu disse.
-Como assim fogueira? Isso aqui não é um movimento em prol da natureza? De consciência ambiental? Da maldita sustentabilidade?!
-É... Mas é simbólica...
-Como assim? Vocês vão usar algo do tipo cartazes, fantasias e material reciclado pra encenar as queimadas?
-De certo modo.
-Gostei, tipo... Uma performance artística!
-Tipo churrasquinho. Vamo metê-le fogo.
-O QUÊ?! Não tá vendo que alguma coisa não tá certa?
-Jesus! Você é o que? A presidente do grupo de mães? o chefe dos bombeiros? É só uma manifestação, droga! Agora só falta reclamar dos Molotov!
-Molotov? Eu não tenho nada cont-- espera! Molotov como em "coquetel Molotov"? Eu pensei que fosse um movimento pacífico!! No que eu fui me meter, cacilda?!?
-Ah, pára... Os Molotov são só precaução!
-E precaução desse tipo pra que?
-Ah, em caso de retaliação da polícia. E pra ajudar na fuga.
-Mas onde... quando... em que planeta... que porra... Que retaliação? Que fuga??
-Olha, você não recebeu o memorando? Depois que a gente eliminar os políticos, não ache que vai ser melzinho na chupeta e abracinho pra cá, abracinho pra lá. Só te digo uma coisa, eles vão atrás dos líderes e você é o responsável pelo grupo 6, então é melhor pegar folêgo.
-Acho que vou vomitar.
-É melhor não. Se os papelotes da branquinha forem junto, o pessoal do CV vai se chatear.
-Que papelotes? Eu não lembro de ter...?!? Ah, quer saber? Que se dane, também! Eu vou é pra minha casa! Isso aqui tá muito errado! O organizador dessa jossa tomou uma balinha antes de planejar isso?!
-Ei, Madre Teresa! Então me diga uma coisa: Como é que você que vamos pagar os homens-bomba sem esse patrocínio?! E, mesmo que pudéssemos, você não acha mesmo que cagamos automáticas ou pegamos balas em uma padaria, hein? Alguém tem que pagar a propina toda! Políticos não se subornam sozinhos, viu! Volte aqui, sacana!

Olhando o noticiário, me sobe um pensamento de que eu perdi uma ótima oportunidade. Por algum estranho motivo, a idéia de ser preso e processado por planejar homicídio, patrocinar o tráfico, liderar uma manifestação armada de um tipo de guerrilha do cuscuz, apodrecer numa cela e ser abusado com um cabo de vassoura até escancarar o meu terceiro olho místico por um grupo de marginais de quinta me parece uma experiência realizadora e que abriria minha mente para muitos pontos de vista. Ganharia uma pensão do governo pelo resto da minha vida por causa da retaliação hedionda sofrida e viveria como um Eco-guru no meia da alemanha oriental, dando palestras para neo-punks verdes. Mas aí percebo que doze segundos da minha vida se vão nesse devaneio estúpido e volto a dormir esperando pela próxima bebedeira. Que noite maluca. Que ressaca infernal.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 Coisas Que As Mulheres Nunca Vão Dizer

Outro dias desses, estava eu cá com meus botões, pensando(?) em questões filosóficas que pessoas simples não conseguiriam compreender em mil anos quando, de repente, minha mãe bateu na porta do meu quarto e disse pra mim acordar, que o almoço já estava pronto e ninguém ia me esperar pra comer. Pronto. Bastou aquilo pra me atiçar a vontade de comer. Acabei chegando ao raciocínio que era muito cedo pra acordar ainda e sobraria algo pra mim comer mais tarde, algo que mais tarde descobri ser algo não muito certo em se fazer, mesmo assim virei pro lado e continuei a dorm... digo filosofar.

No sonho que eu tive, que na maioria das vezes tem algum elemento digamos... erótico, eu estava na escola (fragmento de um complexo mal-resolvido talvez...) e lá pelas tantas Margareth* estava me provocando com palavras de baixo calão:

- Eu quero por trás.

Sonho é aquela coisa bizarra né. Tu começa a fazendo uma coisa e simplesmente do nada está numa outra situação completamente diferente. Nada muito diferente da vida real né.
Então acordei de novo. Lá estava eu na cozinha então. Enquanto fazia um miojo as 4 horas da tarde comecei a pensar(?) nas coisas que as mulheres não falam. Sim, mulher é um ser bastante complexo e eu nunca entendi muito bem. Mas quem sou eu para querer entender o sexo feminino quando nem Sigmund Freud (aquele austríaco maluco que curtia uma branquinha pura, sabe. ) soube entender.

Resumindo a ópera, por experiencia própria cheguei a uma lista de pensamentos que remetem ao universo feminino mas que nunca serão ditos pelos seres ditos do sexo frágil. Aqui estão alguns destes:

- Querido, eu não sei dirigir bem, manobra o carro pra mim?
- Nossa, como estou magra. ou
- Estou magérrima! Preciso ganhar uns 4 quilos. (impossivel)
- O Brad Pitt é feio. (pecado! pecado!)
- Tá querido, desculpa eu peidei mesmo, admito.
- Hum amor, que meia cheirosa essa jogada em cima da cama junto com a toalha molhada.
- Hoje eu não quero ver a novela. Coloca no futebol.
- Meu querido, o que tu acha de chamar a Marcinha*, aquela minha amiga que tu acha gostosa, pra fazer um ménage à trois?
- Eu te entendo perfeitamente.
- Não vai esquecer de ir no happy hour com os teus amigos hoje.
- Eu adoro as tuas ex-namoradas.
- Eu adoro tua mãe.
- Eu adoro quando tu arrota.
- Eu adoro dar o c*.
- Quem sabe hoje não tentamos algo diferente? Quero fazer por trás!
- Hoje não tô com dor de cabeça.
- Adoro filme de sacanagem.
- Odeio ir no shopping. (sacrilégio)
- O Brad Pitt é feio. (sério, impossivel)
- Me dá aquele bife. Aquele mal-passado.
- Ela é mais bonita do que eu, admito.
- Você esqueceu meu aniversário de novo? Tudo bem.
- Tu não quer dançar tambem? Eu fico aqui contigo?
- Tá cansadinho né, posso lavar os teus pés?
- Adoro o teu chulé.
- Não quero dinheiro.

*(Os nomes aqui foram mudados para manter as indentidades preservadas e não causar nenhum contrangimento.)

quarta-feira, 7 de maio de 2008 Pânico no Condomínio - Dia 1

-Olá! Bom dia!
-Óh... Tudo bem? Comoéquevai?
-Legal, legal... Tudo bem.

É claro que podia ter terminado o diálogo agora e voltar pela porta que acabou de sair, deitar na cama quentinha que te espera e talvez tomar o mesmo café forte demais que ainda não aprendeu a fazer decentemente. Mas seus instintos básicos te chamam. Você quer sangue. Quer reclamar seu trono como macho Alfa. É como num daqueles filmes de suspense: "Paulo Tigre está aqui!", você pensa... E logo depois sai correndo atrás dele pelos corredores vazios com um machado.

Recolhe o jornal e, ainda agachado, capricha no cinismo do sorriso e encara ele enquanto dá às costas. Quase ri alto demais e estraga o momento que vem planejando desde que lhe falou pela primeira vez. Sente pena do desprezo que mostra por ele e alarga ainda mais o sorriso e, quando encosta na maçaneta fria, é como se os céus tivessem ouvido suas preces. Deus do céu!!! O arrepio que sobe a espinha, os pêlos eriçando pelo seu braço, as mãos suadas... Você tinha tudo isso em mente, só estava esperando essa oportunidade de pôr em prática.

Ah, seu maldito sacana!! Safado gênio maquiavélico!! Nem Darth Vader em sua frieza intergalática deixaria de se curvar ante sua crueldade infinita... O quê não daria pra ter feito tudo isso antes, quando tinha recém comprado aquele imóvel, hein?! Alimentar o ódio e o caos mútuo naquela vizinhança, hein?! Todo mundo precisa de um pouco de emoção de vez em quando, não é?!? Então por que não você? Por que não agora?!

Você poderia ser capaz de chorar de excitação, a adrenalina te deixa sem ar... É como pular de um trem em movimento, mas sem todo aquele negócio de se estabacar no chão e rachar a cuca... Não... Você pode sentir... E gosta disso. Sente que a presa está tensa e fica fazendo joguinhos, observando e cercando aquele pequeno e ingênuo ratinho, como nos documentários do Discovery, preparando-se para dar o bote e transformá-lo no prato principal saboreado lentamente; no espirro que faz o nariz coçar antes de sair...

Quando finalmente desmancha a fumacinha do lado diabólico e obscuro de si próprio, fecha a porta e recolhe a mão vagarosamente, pra fazer onda. Num movimento digno de nota, esmaga o dedo e solta um grito gutural, daqueles que vêm das entranhas. Pra finalizar essa cagada de proporções faraônicas, deixa escapar o jornal pra fora da porta. Depois, ouve uma gargalhada forçadamente sonora e a porta bate.

BABACA!! IMBECIL!!! MENTECAPTO!!!! Ai, ai... Então, sem hesitar dá uma cabeçada na parede. E denovo. E denovo. E agora tem sangue ali. E nessa sua imensa inutilidade intelectual, sai caminhando a passos acelerados pro banheiro, ver o tamanho da burrada. Durante a longa viagem, lembra que tudo podia ser evitado se simplesmente fosse falar com ele, resolver calmamente, sabe? E também que todo esse drama poderia ser evitado se não tivesse saído da casa da mãe, onde não precisaria comer comida congelada todo fim de semana, e onde nunca falta sabonete quando vai tomar banho. Falando em sabonete, você levanta do sofá e lembra que ía no banheiro. Nada de curativos, você esmagou uma espinha. Simplesmente ridículo.

Enquanto caminha para o quarto, o telefone toca. Quando volta pra cozinha para atendê-lo, ouve o vizinho caindo de rir... Se mijando, mesmo. Você tinha acabado de acordar faziam 20 minutos, e mesmo assim, se manda pra baixo dos lençóis como um cachorrinho com o rabo amarrado à latinhas de Coca; um garotinho correndo do chinelo depois de quebrar o aparelho de som do pai. Francamente... Mal começou o dia e você já está no fundo do poço.

Fim do dia 1.

domingo, 9 de dezembro de 2007 "Tó aqui teu troquinho, parceria!"

(Este é o primeiro de três Posts da Non-Sense Bullshit Special Trilogy. Não se preocupe em reclamar, vou estar com muito sono pra escrever uma réplica.)

O Sub-Mercado

Um dia de oferta no Sub-mercado! A danação dos bolsos dos contribuintes está para amenizar-se! Que alegria! Óh, rejúbilo do povão! É Clóvis... Mas isso tudo não vem de graça. Lembra da vez que comprou aqueles bolinhos na promoção? Como esquecer aqueles três longos dias no banheiro...

Passando no açougue e seu odor característico, me passa repentinamente uma vontade enorme de alimentar-me com o cérebro de meus semelhantes. Mas aí me lembro daqueles filmes em que os zumbis sempre morrem de algum jeito nojento e desisto.

Passo no setor de verduras e legumes, mas, naturalmente, nada me atrai. Sigo reto e tropeço na quina de um freezer. chingo a mãe dele e chuto-o de novo, sem tanta veemência desta vez, mas ele aparenta não ter se alterado. Deve ser profissional.