sexta-feira, 24 de abril de 2009 The M! True Roliúde Story: Eduardo Jaeger: "Um verdadeiro Abacaxi".
Na infância, demonstrava aptidões esportivas em competições e procurava aumentar seu rendimento físico de modo que o ápice do seu desenvolvimento muscular se desse pelos 13, 14 anos. Infelizmente a vizinhança achou que aquilo tudo era "coisa do demonho" e mandou o guri prum internato. FIM DA HISTÓRIA.
-Mas e--
-FIM DA HISTÓRIA.
-...
-Hunf.
-Ei! Não é a sua namorada correndo só de biquiní no meio da biblioteca da cidade?
-Hã? BENZINH-- Cara, aquela não é a minha namo-- *Soc* *Pow* *Splash* *Bark* *Spiff* *Beer Can Being Opened*
Na adolescência, fugiu do claustro para viver nas ruas de uma metrópole no sul de um país emergente. A experiência propiciou uma série de acontecimentos bizarros demais para a TV e demasiado patéticos para as mais miseráveis rádios piratas. Um de seus mais marcantes fatos dessa época foi, aos 12, drogada, prostituída e com sérios problemas quanto à infiltração dos pêlos da bunda reto acima.
Durante o período em que fazia pós-graduação na escola das ruas, viu sua vida florescer. Passava agora pela puberdade. Partes do seu corpo começavam a mudar: a voz engrossara, odores estranhos emanavam de seus poros e logo passou a se interessar por outros meninos. Digo, MENINAS, outras meninas... Foi nessa fase que acabou por encontrar seu grande amor: um banjo. Eu falei, é patético. Além do cheiro de fossa séptica aberta, faltavam-lhe duas cordas. Mas, cego de paixão, fazia amor com o instrumento todas as noites.
Aos 15, largou sua vida de indigente e jogou tudo fora: uma caixa de papelão(ou casa, chame do que quiser); uma caneta do Mickey(com orelhinhas); isqueiro; cachaça; boneca Maria Mijadera que vem com troninho e faz xixi de verdade!(da cotiplás, sempre um rostinho etc, etc...); fio dental (o de dentes) e um guarda-chuva, que chamava de Larry (e usava como figura paterna, batendo-o em si mesmo quando sua consciência pesava). Mais tarde, começou a chover e teve que voltar pra pegá-lo de volta.
Já quase adulto, instalou-se em uma cidadezinha no litoral, onde encontrou seu primo cosmopolita e metrossexual que há muito havia se perdido com o caseiro da fazenda no meio do mato e... Digamos que hoje ele ama os Pet Shop Boys.
Com a vida estabilizada, família, amigos, freiras, bebedouros, uma banda, Um carráço particular pra levar-trazer da escola, peladas na praia, festinhas de 15, mulé a dá cum pau, surf e macon-- ehr... Decidiu que era chegada a hora de mudar de vida. De novo. Mas com apenas alguns pilas no bolso e sem planos para o futuro, Eduardo esperou até que a vida lhe desse oportunidade. E então, depois de duas semanas, levantou-se e olhou para o horizonte. Lá estava eu. Então, fazendo algum esforço pra não parecer decepcionado ele me pediu pra sair da frente pra poder enxergar melhor. Justificável, tinha uma guria muito gost--
-Não é o mesmo.
-Desculpe, como foi?
-Acho que não estamos falando do mesmo Eduardo.
-Hmm... Eduardo "Chifres-de-Ouro" Jaeger, vice-campeão de Barretos?
-Não.
-Dudu "Dois-dedos" Jaeger, fabricante de facas artesanais?
-Não.
-Ed "swing-suor-e-odor" Jaeger, que ganhou o concurso de karaokê?
-Hmmmm... Talvez, mas provavelmente não.
-Edinho "come-letras" J., escrivão?
-Não.
-Então só pode ser ele, não tem outro.
-Ah, tudo bem. Mas como ele morreu, mesmo?
-Psst! Vem aqui mais perto...(cochichando) Não morreu, mudou de identidade, mudou a cara com plásticas... Dizem que mudou de país, inclusive. De sexo? Talvez, por que não?
-Sério?! E quem ele é agora?
-Ninguém sabe... Desde que o dono da fazenda botou sua cabeça à prêmio quando pegou ele tratando a égua favorita com "carinho demais", ninguém nunca mais viu ele por essas bandas.
-Bom, se faz tanto tempo, ele já deve ter apagado os dados da sua vida aqui e estar levando uma vida normal!
-Eu duvido. Não é uma mudança de cenário que faria um cara como ele levar uma vida normal.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008 Entrevista com a lenda - Parte 1
Dono de uma volumosa cabeleira quase branca e topete inconfundível, nos anos 60/70 ficou conhecido como o homem que trouxe os DreadLocks ao Brasil. Na época, sua relação com os familiares estreitou-se, já que era considerado uma má influência para os sobrinhos. Era chamado na rua de "Vagabundo homossexual", "jovem alienado homossexual", "liberalista repulsivo infame homossexual", "maldito porco Marxista zoófilo pixaim hipócrita homossexual" e "Viado", embora o último fosse um apelido comum dos tempos de colegial.
Nascido numa cidade pequena, foi notícia recém-nascido, ao ser parido em um ponto de ônibus. A mãe carregava uma margarida consigo, mas tinha alergia ao pólen. Quando espirrou, mal notou e o bebê já tinha saído.
-"Foi como abrir um Champanhe... Só ouvi o estouro e quando olhei pra baixo, lá estava atirado o bichinho."
Começamos a entrevista na sala da sua casa, numa segunda feira de calor infernal, 32°C. *** nos recebe com uma cervejinha geladas numa mão e o controle da tevê na outra. Desliga a tevê e nos oferece a cervejinha gelada. Foi aí que achei que tudo iria correr tranqüilamente pra nós. Pobre ingênuo repórter.
Fim da parte 1
quinta-feira, 24 de julho de 2008 Capitão Vagabundo e Suas Vagarosas Aventuras
Capitão Vagabundo começava o dia procrastinando o ato de acordar. Ficava lá na cama, procrastinando, até umas 3 da tarde. Acordava bem na hora da Sessão da Tarde. Pena que acabava dormindo na metade. Acho que nem chegou a ver Os Caça Fantasmas inteiro... E tinha até uma teoria: "Todo filme bom deve ter diálogos inteligentes e bem-pensados. É nessa parte que eu durmo."
Às 6, 7 horas da tarde, dava uma pausa pra um lanchinho reforçado: Aveia com leite. Quando possível, algumas fatias de banana. Se não, cortava um pepino em rodelas, bem crocante assim. Sob o efeito deste poderoso laxante natural (e livre de Gorduras Trans), Capitão Vagabundo relaxava em cima do troninho por horas.
Não era nem Liberal, nem Conservador. Democrata ou Republicano. Deus ou Diabo. Meio-Amargo ou Ao Leite. Star Wars ou Star Trek. Fusca ou Belina. Axe ou Rexona. Ia no bar e pedia uma Coca, mas não se importava se viesse Pepsi. Era um mal resolvido, assim mesmo. Lia Veja e Minha Novela, pra não parecer nem muito formal, nem um gozador.
Tinha Ergofobia, mas uma sorte do cão. Tudo que precisava, ao seu tempo, literalmente caía do céu. Uma vez a cafeteira enguiçou. Não demorou dois dias, um tornado mandou uma cafeteira nova, janela a dentro, quando ele tinha esquecido de fechar a casa pra viajar.
Capitão Vagabundo, mesmo que não aceitasse o título, era um Anti-Herói. Era um péssimo exemplo para as crianças, mas acabava fazendo um bom trabalho. Quando alguém gritou por socorro, certa vez, estava dormindo na rua, bêbado. O ladrão pisou na sua Vodka e aterrissou de nariz no chão. A cena foi feia, mas ganhou fama por isso. Mais tarde, contavam-se 12 meliantes distraídos e 2 atentados terroristas impedidos pelo Supra-Sumo da falta de vontade.
O PCC perdeu força quando o carro dos comandantes da quadrilha tiveram os pneus estourados ao passar por cima de pregos convenientemente esquecidos no meio da rua, em frente à delegacia; ali, do lado da casa do querido protagonista, onde estava ele fixando a cerca do jardim quando deixou-os caírem, de porre. Na verdade, até hoje não martelou mais nada lá. A madeira jaz podre e os pregos oxidados pela exposição ao ar continuam no meio da rua. "Por precaução", é claro.
Ganhou até a chave da Cidade, certa vez. Mas perdeu, assim como a medalha de "Cidadão Honorário", o troféu de "Personalidade do Ano", A Palma de Ouro de "Ator Masculino-Revelação" e o CD autografado do Roberto Justus que recebeu por enganado dos Correios. Dizia que tinha os guardado na "Vagabundocaverna". Na verdade, uma vez foi se mudar e o caminhão tombou no meio de uma favela. Saquearam toda a carga. O que sobrou mesmo foi o quadrinho com a caricatura do Chacrinha, dado pela ex-sogra. E o CD do Justus.
Apesar de ter sido várias vezes homenageado, ainda era muito humilde. Pudera... Quando perdeu todo o dinheiro da Mega-Sena jogando truco na praça, sua auto-estima foi pras cucuia. Não conseguiu se sentir orgulhoso nem quando ganhou a Corrida do Porco, acirradíssima competição e um dois maiores atrativos turísticos da cidade. A verdade era que Cap. Vagabundo era um homem simples, honesto, um pouco calvo no topo da cabeça e possuía um senso de "Certo e Errado" que raramente falhava. Procurava ser justo com todos, embora uma vez não devolveu um troco a mais no mercado. Foi um grande ser humano, um benevolente trapalhão, um sortudo altruísta e, ainda por cima, um coroinha exemplar na infância. Morreu semana passada, atingido por um galho, enquanto fazia uma trilha de bicicleta num dos morros do interior. No jornal, uma nota no rodapé, com erro de ortografia.
"-Mas o velhinho me roubou..." - Disse ele.
domingo, 7 de outubro de 2007 Uilsonev, o primeiro (Caballero Descabeçador)
Uilsonev, o primeiro, fora garçom no Tia Pereira's por 4 anos. Adorava sentir o peso do guardanapo no braço. Adorava as sombrinhas que colocavam nos drinques. Adorava até os bêbados que tinha que expulsar pela manhã.
Certa vez, aos 5 anos, ganhou de presente do seu tio mais gordo uma bíblia. Mas como não sabia ler, fez uma linda fogueira que ardeu por uns 3, 4 minutos. Como punição pelo sacrilégio, ganhou uma unha encravada e uma gravata-borboleta. A gravata nunca mais foi achada depois do Incidente, e a unha que mais tarde seria tida como a causa de sua morte, foi, por muito tempo, relacionada a alguns milagres e poderes terapêuticos.
Durante sua curta infância, que durou exatamente 11 anos e meio, recebeu dois convites para se juntar ao circo. Acreditava-se que Uilsonev, o primeiro, era uma aberração, pois sua unha encravada evoluíra de tal maneira que alguns dirigiam a palavra diretamente ao dedão do pé, que em sua sabedoria silenciosa, tramava a favor dos ideais socialistas da época. Muitos não apreciaram as reflexões do seu dedão direito. Principalmente o dedão esquerdo, que, ironicamente, era de extrema direita conservacionista e tinha uma coloração amarela que fazia as crianças menores rirem.
Aos 11 anos e meio, recebeu em casa uma espada. Mas como era de se esperar, Uilsonev, o primeiro, não sabia manuseá-la. Por isso, fugiu de casa e foi morar num mosteiro tibetano, onde esperava receber alguns ensinamentos. Depois de 4 anos imóvel em posição de Lótus, Uilsonev, careca, enfezado e faminto, desembaínha a espada pela primeira vez e decapita um monge. E depois mais dois, quando embainha de volta. Mas só se dá conta de seu talento quando volta pra casa e decepa a cabeça da boneca da irmãzinha. O fato foi depois nomeado "Incidente", pois teria mudado tanto a vida das pessoas do pequeno vilarejo onde vivia que não podia ser citado. Bom como por ser um dos fatos que ajudaram a desenvolver sua segunda personalidade, Martin Lúter, um senhor aborrecido e estranho que gostava de gritar em frente às igrejas e que logo depois assumiria definitivamente o controle da mente.
Aos 38 anos, acha na areia de uma praia um chinelo-de-dedos, e, ao surrupiá-los encontra Oliver, um baixinho franzino que gostava de andar ao Sol no meio dia e achava a palavra "pelugem" desagradavelmente hilária. Na mesma hora, tomado pelo desejo de comer batata-doce, urra para uma platéia de transeuntes que pretende ser caballero. Mas faz-o com tanta vivacidade que desembaínha a espada, e decepa metade da orelha de Oliver. Sorte.
Mais tarde, Oliver seria adotado como escudeiro e mudaria seu nome para Tamarindo, o que segundo a numerologia, da qual era completamente fiel, resultaria em paz, dinheiro e peitudas. Pobre Tamarindo. Não poderia estar mais errado.
As histórias das aventuras seguintes de Uilsonev poderiam preencher uma porção de livros, cheias de magos, enigmas, strippers, sociedades secretas, dicionários de línguas antigas, chineses, alemães e arábicos, discos-voadores, mensagens subliminares, padres possessos, bárbaros, sangue, tripas, pôquer, ginástica, sexo, alquimia, ogros, criaturas nefastas, demônios, cavernas de dragões...
Mas acredite... O que era interessante eu já contei.
terça-feira, 18 de setembro de 2007 A saga do Caballero descabeçador
Uílson, ao contrário do que se pensava, não era eunuco. Ele apenas se tornou impotente devido aos solavancos que frequentemente, o esmilingüido jegue promovia sem dó.
Em sua viagem, percebeu o quanto era difícil se acostumar com a sua fama. Os homens riam. As mulheres debochavam. Até os idosos, que antes se dedicavam a disputar partidas de dominó e truco, interrompiam a jogatina, oferecendo trocadilhos ao estrangeiro.
Durante os sete anos que cavalgou pelo país, dois deles passou vagando em círculos pela densa floresta amazônica. Experimentou bananas, cajuzinhos e um Big Mac. O Big Mac não desceu bem. Por fim, experimentou a fila do SUS. Lá se foi o terceiro ano.
Seu apelido, "descabeçador", assim como seu antepassado Uílsonev, o Primeiro, adquiriu depois de decepar a cabeça de um transeunte, quando este posava para uma foto. Na verdade, foram três. E um padre. Ele nunca vai saber por que aquele gentil senhor desembainhou uma espada em plena luz do dia.
Não que Uílson do século Xis Xis Í seja desinteressante, mas é que Uílsonev tinha um fiel escudeiro à tiracolo.